segunda-feira, maio 19, 2014

O Livro


Foto: Luciana Onofre / 2014


E ao concluir a apresentação,
fechei o livro...
O descansei sobre o peito,
ouvi o coração bater
intenso,
E pensei:
Está tudo aqui.


Luciana Onofre



terça-feira, maio 13, 2014

reflexões e inflexões

retomadas




Ou se é inteiro, ou nem se recomece.
Ou se encara ao tudo sem prenoções ou nem se recomece.
Vale em todos os sentidos.
Desprovir mente, corpo, e espírito de retrocesos é o que vale, senão nada feito.

Com múltiplos  "se" pelo meio as vírgulas se tornam postes, os pontos suspensivos muros.

Ou se encara o recomeço sem poréns ou nada feito.

Ser pela metade é mediocridade.


Luciana Onofre

segunda-feira, maio 12, 2014

palavra truncada


 



Hoje em meio a camisas, camisetas, meias e meiões, e meio corpo debruçado quase dentro da máquina de lavar [meço 1 metro e meio apenas, bem nem tanto assim 1,55], me vieram os pensamentos de supetão: você não escreve mais você mesma...

Entre uma e outra peça pendurada no varal me dei conta que é isso mesmo, não escrevo mais a mim mesma, não o que de fato se atola em burburinhos que era outrora parido em letras e palavras, nem tão sutis e lapidadas como hoje em dia.

Mas por quais motivos se deu que as coisas sejam ainda coisas dentro de mim, mas virem à luz apenas um terço delas ou nem verem a luz do monitor LCD deste laptop? A censura.

A autocensura primeiramente. E depois a censura que deu lugar a essa autocensura. 
Você atualmente graças a todas essas redes sociais não escreve mais para o outro, aqueles outros anônimos, ou nem tanto, mas que lhe liam por ter com você empatias, similaridades, assim que lessem o que eu cuspia, paria em letra não corria o risco de ser um choque, de chocar, mas eis que as redes sociais que hoje aproximam mais céleres que um segundo findado, trouxeram consigo a proximidade quase onisciente e onipresente das relações parentais. 
Então a escrita fica pela metade. Querendo ou não eis a censura que gera a autocensura.

Em sã consciência você jamais escreverá as lacunas perenes emanadas pela sua infância para que sogros, cunhados, irmãos, pais leiam. Aonde já se viu ir rumo a um patíbulo certeiro de livre e espontânea vontade? Em sã consciência ninguém vai.

Ou exporá em forma de poesia subterrânea suas tresloucadas madrugadas rua afora, ou os corredores mil afora dos seus tempos de primeira faculdade. Mesmo que tudo isso seja você. Mesmo que tudo isso possa servir para alguma coisa depois de escrito. Você não escreverá sobre se a presença das redes sociais lhe pesar.
O que vêm a ser engraçado na verdade, pois mediante essas redes se pretende ser mais lido, mais notado, mais visto, porém escrever com suas vísceras, derramar a bile que corrói a alma é outra coisa.

Assim pendurando as vestes da minha cria tornei oficial para mim mesma essa verdade absoluta: eu hoje escrevo parcialmente, uma parcial do que sou, uma metade do que há, aqui dentro.

E confesso me deu vontade de sentar e deixar cair o pranto junto com o chuvisco que começava a se derramar dum céu escuro, quase um roxo cinza zangado, pois terminei sendo o que jamais supus ser, alguém de alguma forma pela metade, numa autoimposição castradora, ceifadora. 

Usar codinomes, avatares é um artifício que se vê em uso exatamente por quem como eu, não pode ser lida na íntegra, mas seria a minha morte súbita se eu usasse esse recurso, pois odeio e sempre odiei codinomes, avatares, meu nome, marca, codinome sempre foi um apenas: Luciana Onofre. E só. E disso não abro mão.

Indo para trás na minha linha do tempo lembrei que a decisão de ter/escrever um blog se deu exatamente quando eu estava gerando minha primeira filha [ mais de 13 anos já passados] , para que ela soubesse quem sou, quem fui, o quê eu era, logo a premissa era me jogar inteira na letra, me verter, me traduzir em  frases, constatações, lembranças, [todas] não apenas as cores pasteis, mas sim meus mergulhos soturnos, abissais, meus relatos sobre por aonde estes pés perambularam, o que estes olhos viram, o que esta boca guarda... Ou seja, tudo é uma contradição, pois decidi escrever para que minha prole me lesse, [eis umas das relações parentais então] mas cá estou me lamentando pelo rumo que minha escrita teve.

Como gerenciar isso? É impossível mutar o olhar alheio, pedir que se desfaça das prenoções, dos julgamentos, pedir que permitam ao outro ser, escrever tal como ele é; sem máscaras. Então o que resta?

Irei dormir com essa questão certamente e certamente acordarei com ela...

Luciana Onofre


quinta-feira, maio 08, 2014

Partidas e Sonhos





Imagem via Pinterest




Preparamos a cria para o mundo, sem demagogia alguma nessa frase.
Alícia hoje está em Sampa, para realizar o sonho dela, presenciar o show do One Direction.
Para isso, todo este processo teve começo faz 1 ano.
1 ano em que esperou ansiosa, turbulenta, célere este momento.

Mas ela viaja mundo afora desde os 6 anos, logo agora aos 13 e alguns meses já perambulou o suficiente mas nunca o bastante para ela.

O que para outros é loucura, que deixemos ela realizar suas metas e sonhos, para nós é vida.

Que possamos em quanto possamos realizar sempre teus sonhos Alícia!

Saudade? Claro que há, sempre há.

Luciana

domingo, maio 04, 2014

As vozes que se foram



Há coisas que deixam de falar com nós.
Coisas, pessoas, situações, idades, tempos, elas simplesmente calam ou as calamos.
E apenas com o tempo percebemos que elas nunca mais foram ouvidas.                                       Outros canais as silenciaram, outras vidas parecem ser, outros eus parecem ter sido aqueles os que falavam com elas, com eles.
Não é preciso o tempo, na sua manifestação linear para que esses silêncios ocorram.
Apenas deixamos de falar com eles, com elas.


No dia menos pensado se acorda para um silêncio indizível que de fato não se fez sentir, mas que por algum gatilho ou sistema artífice apontam para essa ausência, nossa. Nossa pois é um movimento de calar parido por nós.

Algo como uma leitura que fica pela metade, dum livro que por alguma razão desliza e cai entre a estante e a parede, e então somente lembraremos dele ao esvaziar algum espaço. As vozes que não ouvimos mais são isso, e vem uma certa sensação de perda quando constatamos que elas calaram e não o percebemos, que não foi necessidade nossa emitir uma fala para com elas, ou que o som das mesmas não significam mais nada para nós.

Assim se por ventura ocorre uma despedida, uma partida, ou um fim, esse risco de completa ausência de emoção é tornado matéria. 


Luciana Onofre

quarta-feira, abril 30, 2014

Não alimente o monstro.











Cada coisa sobre a Terra possui ciclos, nada escapa a isso.

Emoções, sentimentos seguem essa pauta. Relações cavalgam a Roda da Vida todos os dias desde que o mundo é mundo.
Nós, os seres humanos começamos e findamos mais coisas do que poderíamos desejar.

É a natureza seguindo seus ritmos, determinando espaços, vivencias, ciclos.

Há uma transição constante quanto ao que sentimos, quanto ao modo que enxergamos as coisas, e isso é impossível de ser evitado, assim  é por que somos humanos, e nossa humanidade é transitória; entre tanto não podemos concluir um ciclo, um instante, um fragmento das nossas vidas alimentando de forma ávida sentimentos e pensamentos de total desconstrução para com aquele ciclo que findou.

Relações mutam, umas para um bem melhor, outras chegam ao seu fim, outras descansam e quem sabe retomem a caminhada juntas novamente, mas não por isso [eu, luciana] encara o fim ou mutação de status quo como um estágio novo aonde após transpor seu limiar devo tornar aquela relação, aquele outro ser em monstro devorador do bem que já existiu.
Ou passar a encarar ao outro [que por alguma razão deixa minha vida] como um ser ruim, vil, malvado, capaz de me causar danos.
Mesmo que eu saiba  que há a possibilidade premente de que eu possa ser imaginada como um demônio que cavalga sobre um caldeirão expelindo pelos poros maldições, [é passível que isso seja pensado sobre mim]  eu prefiro pensar ao outro como uma pessoa que pode surpreender por manifestar reações mais nobres.

Alimentar ao monstro da desconstrução nós deixa ocos, secos, áridos.

A chave-mestra é saber dizer adeus. até logo, até em breve, reconhecer o lado positivo [por que sempre existe], curar nossas feridas, sanar as dores, e seguir avante sem demonizar ao outro, sem entendê-lo como um "novo inimigo" ao qual eu terei que guardar bem à vista, e que virá de mãos dadas com o monstro devorador de tudo, me deixando paranoica e oca.

Passo hoje por um ciclo que findou, que mutou, uma relação de amizade que tomou outro rumo, que ao meu ver passou a um estágio aonde não causará nem a mim nem a outra parte lacunas emocionais, expectativas não correspondidas.

Não alimento o monstro devorador de almas, de emoções, de pensamentos.

Parto, ou deixo partir em paz, aquela paz que advêm daquele momento em que tudo sendo dito, não deixou mais espaços com reticências, com dúvidas. Essa paz existe ou no mínimo é possível.

Assim esta escrita resulta mais como uma carta, uma carta de "deixo ir" e nada fica, nada que me faça alimentar aquele terrível monstro que se alimenta de sentimentos duvidosos, que dá formas a pensamentos rudes, a suposições penosas.

É irracional e nocivo pensar a alguém que um dia já nós circundou em amizade como um ogro cruel. Isso em mim não quero.

Sou grata ao que de bom existiu.

Deixo ir, desejando que tudo o que more em seu coração seja paz.

Luciana Onofre

terça-feira, março 25, 2014

Sem culpas


 


Eu sou produto do chão em que andei, dos ares aonde respirei, dos ventos que pari, dos terremotos que gerei, dos oásis aonde descanso e descansei.
Eu sou produto do que semeei ou deixei de regar, das águas em que banhei, dos sorrisos que dei e dos que neguei.
Eu sou produto dos sonhos que realizei e dos que jamais vi ser, dos tempos que dei e dos que cerceei;
Eu sou produto das minhas sombras obscuras e dos meus sóis inquietos.
Nada do que hoje me ocorre ou vivo é culpa de algo ou de alguém.
Eu sou o que quis ser.

Luciana Onofre